Pressão pela derrubada do Decreto 12.600/2025 no Tapajós ganha força
Com o avanço da ocupação, lideranças articulam ações mais duras pela revogação
A mobilização pela revogação do Decreto 12.600/2025 entra em nova fase no rio Tapajós. Lideranças indígenas e movimentos sociais articulam ações mais duras após classificarem as sinalizações do governo federal como insuficientes. Para quem vive na região, suspender editais não resolve. A reivindicação segue sendo a anulação completa da medida.
O Sindicalismo Socialista Brasileiro (SSB) se une à frente formada por mais de 20 etnias acampadas em frente à Cargill, em Santarém. O cacique Gilson Tupinambá, coordenador do Conselho Indígena Tupinambá do Baixo Tapajós (Citupi), reforça essa posição.
“Não queremos suspensão de edital. Queremos a revogação e a anulação completa. Pessoas que não conhecem a região querem decidir por nós. Não vamos permitir que isso aconteça”, afirmou.
A mobilização prevê viagens para Brasília na próxima semana, com a possibilidade de presença de importantes lideranças nacionais. O movimento também já repercute em outras regiões do país. Nesta sexta-feira (20), foi convocado um ato em frente à unidade da Cargill em São Paulo, em solidariedade à defesa do Tapajós.
Para as comunidades locais, o que está em jogo é a tentativa de transformar o rio em corredor logístico de exportação, colocando em risco a sobrevivência de quem depende diretamente das águas para viver, trabalhar e se alimentar.
Contaminação e destruição da vida
Dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) ajudam a dimensionar a gravidade da situação. Estudos indicam que cerca de 14 mil indígenas no oeste do Pará apresentam contaminação por mercúrio associada ao garimpo ilegal. De acordo com pesquisa publicada em 2021, em média seis em cada dez indígenas apresentaram níveis elevados de mercúrio. Nas aldeias mais próximas dos garimpos, a proporção chega a nove em cada dez.
Segundo os pesquisadores, a contaminação ocorre principalmente pelo consumo de peixe contaminado, pela água e pelo contato direto com o rio, afetando o equilíbrio do ecossistema e a biodiversidade da região.
Os números evidenciam que o avanço dessas atividades produz impactos alarmantes sobre a saúde e o modo de vida da população. Para o presidente do SSB, Tadeu Cohen, entregar o rio aos interesses do agronegócio é fechar os olhos para os impactos que já atingem a região.
“O que está em jogo não é apenas um projeto. É a vida de todos que dependem do rio. O presidente Lula, que também é sindicalista e reconhece a legitimidade de uma mobilização popular, precisa responder ao povo brasileiro com a revogação do decreto. O Tapajós não é mercadoria.”, afirmou.
Para Tadeu, que nasceu no Pará, a situação é inadmissível e exige cobrança não só do presidente, mas também de quem foi eleito para representar a região. Ele critica a atuação do deputado federal Henderson Pinto, afirmando que o político tem se colocado ao lado do agronegócio em vez de defender seu povo.
“O Tapajós sustenta o turismo, a pesca e a sobrevivência nas cidades. Proteger essas águas é garantir o futuro de todos que delas dependem e é dever de todo representante”, finaliza.
Como ajudar
As comunidades pedem apoio para manter a mobilização. Entre as necessidades mais urgentes estão água, alimentos, colchonetes e itens de higiene. As doações podem ser entregues diretamente no local ou encaminhadas pelos pontos de coleta divulgados pelos povos do Baixo Tapajós no Instagram @citabt ou @projetoamazoniaviva.
Para doação em dinheiro, é possível ajudar pela chave Pix do Conselho Indígena Tupinambá: 16.901.945/0001-14
