Pesquisa revela que 68% dos trabalhadores brasileiros reconhecem e valorizam a atuação dos sindicatos
Avaliação é ainda mais positiva entre os jovens nas regiões Nordeste e Sul
Em um cenário em que as relações de trabalho estão cada vez mais precarizadas, a pesquisa nacional “O Trabalho e o Brasil”, realizada pelo Instituto Vox Populi, mostra um dado importante. A maioria dos trabalhadores brasileiros reconhece que as entidades têm um papel importante na defesa de direitos e na melhoria das condições de trabalho. Segundo o levantamento, 68% valorizam a atuação sindical e mais de 70% defendem que o direito de greve seja garantido.
Com tantas pressões, os trabalhadores enxergam os sindicatos como lugar de representação e proteção. Entre os mais jovens, essa percepção cresce e chega a 74,6%. Jovens do Nordeste e do Sul são os que têm visão mais positiva, com índices acima de 70%. No Sul, os números também são altos, próximos ou acima de 68%, especialmente quando o tema é negociação salarial e representação.
O presidente da SSB, Tadeu Cohen, reconhece o papel fundamental dos sindicatos na defesa dos trabalhadores. “As pessoas querem direitos, querem estabilidade e sabem que só a organização coletiva consegue garantir isso. O sindicato continua como principal ferramenta de proteção para quem trabalha no Brasil”, disse.
Na avaliação do secretário nacional da SSB, Joilson Cardoso, a pesquisa mostra que o trabalhador não abriu mão da própria força. “Os direitos são conquistados e mantidos com muita luta, especialmente em um país que ainda tenta empurrar a precarização como caminho”, afirmou.
Informalidade não é escolha
Para grande parte dos entrevistados, estar na informalidade não é uma decisão própria. Entre os que não têm carteira assinada, 55,3% prefeririam voltar ao regime CLT pelos direitos e pela estabilidade. Entre os que já tiveram vínculo trabalhista no setor privado, 59,1% desejam retornar e 30,9% acredita que isso pode acontecer.
Outro ponto que chama atenção é a falta de representação entre trabalhadores autônomos de diversas áreas, como ambulantes, construção civil, beleza, comércio, artesanato e tecnologia. Quase metade, 49,6%, gostaria de ter um sindicato próprio.
Em um país onde a desigualdade pesa sobre quem trabalha, os números refletem o desejo de trabalhadores e trabalhadoras por segurança e respeito.
É nesse cenário que a SSB reafirma sua posição em estar ao lado de quem enfrenta essa realidade e exige valorização. Seguimos firmes fazendo a diferença, com luta coletiva onde querem enfraquecer as relações de trabalho.
Pesquisa
O estudo, desenvolvido em parceria com a Fundação Perseu Abramo e com apoio técnico do DIEESE e do Fórum das Centrais Sindicais, ouviu 3.850 pessoas entre maio e junho nas cinco macrorregiões do país, em entrevistas presenciais com trabalhadores formais e informais, autônomos, pequenos empreendedores, servidores públicos, trabalhadores de aplicativo, desempregados e aposentados. A margem de erro é de 1,6 ponto percentual.
