Denúncias de trabalho escravo batem recorde no Brasil

Falta de punição favorece a continuidade de práticas desumanas

Em 2025, o Brasil bateu o recorde de denúncias de trabalho escravo. Foram 4.515 registros ao longo do ano, segundo dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC). Desde 2011, são mais de 26 mil registros recebidos no país. Os números são alarmantes e revelam a falta de fiscalização e de leis mais severas no Brasil.

Para o Sindicalismo Socialista Brasileiro (SSB), isso não é só estatística. É o retrato de um problema que persiste, mesmo diante dos avanços sociais. É a consequência do desmonte de políticas públicas, da retirada de direitos e da falta de proteção dos trabalhadores.

Seja no campo ou na cidade, em setores como a agropecuária, a construção civil e o comércio, as vítimas são, em sua maioria, homens pobres e afastados de suas regiões de origem. Mas as mulheres também sofrem, especialmente no trabalho doméstico, onde a fiscalização quase não chega. 

Jornadas exaustivas, condições precárias e até restrição de liberdade formam uma violência tão naturalizada que, muitas vezes, a vítima sequer reconhece a sua condição. 

O custo da impunidade

Mesmo quando a prática é descoberta, a punição quase nunca acontece. Um levantamento da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) mostra que, entre 2000 e 2025, mais de 4,3 mil pessoas responderam na Justiça por violar os direitos de trabalhadoras e trabalhadores, mas apenas 4% foram condenadas pelos crimes cometidos. Os processos levam cerca de sete anos para chegar a uma decisão final e acabam não trazendo consequências para os responsáveis.

Para o presidente da SSB, Tadeu Cohen, é inadmissível que situações como essas ainda aconteçam. “Trabalho escravo é crime. A SSB repudia qualquer forma de exploração e vai seguir atuando para impedir que o Brasil volte a essa lógica, por mais que tentem disfarçá-la”, disse

Quando a lei falha, é preciso denunciar e expor práticas que tentam normalizar a precariedade. A atuação sindical é um pilar importante para que isso aconteça, ao defender políticas públicas e o endurecimento das penas que reduzam a vulnerabilidade que empurra trabalhadores para esse tipo de violência.

Diante desse cenário brutal, o movimento sindical se afirma como uma linha de frente indispensável na defesa da dignidade humana. Quando o Estado falha na fiscalização, a lei demora a punir e a exploração tenta se normalizar, é o sindicato que organiza, denúncia, pressiona e dá voz a quem foi silenciado. 

A atuação sindical não é apenas resistência. É proteção contra o avanço do trabalho escravo moderno, é luta por direitos que salvam vidas, é enfrentamento direto ao desmonte de políticas públicas que empurra trabalhadores para a miséria e a violência. Fortalecer o sindicalismo é fortalecer a democracia e a justiça social.