Agricultura familiar avança no Maranhão com união dos trabalhadores do Laranjeiras

Ações no assentamento ampliam a produção rural e fortalecem a economia local

O Assentamento Laranjeiras, localizado na zona rural do município de São Luís, Maranhão, constitui-se como um território estratégico para o fortalecimento da agricultura familiar e da economia solidária na Ilha do Maranhão. Com aproximadamente 20 anos de existência, o assentamento abriga mais de cinquenta famílias, cuja base produtiva está assentada na diversificação dos sistemas agrícolas, na organização coletiva e na articulação com instituições públicas e privadas.

Ao longo de sua trajetória, o Laranjeiras consolidou um modelo produtivo diversificado, integrando atividades agrícolas, pecuárias e agroindustriais. Entre os principais sistemas produtivos desenvolvidos no território destacam-se a mandiocultura, com produção destinada tanto ao consumo familiar quanto à comercialização; o cultivo de milho, feijão, hortaliças e frutíferas; a avicultura caipira, a suinocultura e a piscicultura em pequena escala. Essa diversidade garante segurança alimentar, geração de renda e maior resiliência econômica às famílias assentadas.

“O objetivo maior é desenvolver a agricultura familiar. Estamos nos organizando para qualificar o cultivo, o manejo e os projetos de produção”, afirma Domingos Paz, diretor da Associação dos Trabalhadores do Assentamento Laranjeiras.

Domingos é uma liderança histórica da agricultura familiar no Maranhão, integra o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de São Luís e é vice-presidente da Corrente do Sindicalismo Socialista Brasileiro (SSB) no Nordeste. Segundo ele, as ações seguem essa trajetória construída a partir da união e da organização dos trabalhadores, que reflete na parceria com órgãos públicos e instituições. “Trabalhamos com instituições como a Embrapa, a Secretaria Estadual de Agricultura e a prefeitura”, diz.

Um dos eixos estruturantes do assentamento é o processamento agroindustrial, com destaque para a experiência da fábrica comunitária de farinha de mandioca, que agrega valor à produção local e fortalece os circuitos curtos de comercialização. Há, inclusive, tratativas junto ao governo estadual para a ampliação dessa unidade, com previsão de capacidade produtiva de até 1.600 quilos de farinha, o que pode posicionar o assentamento como referência regional na mandiocultura.

“Queremos garantir qualidade e transformar o assentamento em referência”, afirma Domingos. Outro aspecto relevante é a adoção de práticas sustentáveis, como a produção de adubo orgânico por meio da compostagem de resíduos vegetais, reduzindo custos com insumos externos e promovendo maior autonomia produtiva. Essas práticas fortalecem o ciclo produtivo local e dialogam com princípios agroecológicos em construção no território.

Protagonismo feminino e organização social

As mulheres agricultoras exercem papel central na dinâmica produtiva e organizacional do Assentamento Laranjeiras. Iniciativas como o banco de proteína para criação de galinha caipira, que envolve diretamente mais de 20 mulheres, evidenciam o protagonismo feminino na gestão produtiva, na geração de renda e no fortalecimento da economia familiar. Essas ações têm impacto direto na melhoria das condições de vida, na autonomia econômica das mulheres e na coesão social do assentamento.

A organização coletiva ocorre principalmente por meio da Associação dos Trabalhadores do Assentamento Laranjeiras, espaço de deliberação, planejamento e articulação institucional. Sob a liderança de Domingos Paz — referência histórica da agricultura familiar no Maranhão e dirigente sindical — a associação atua de forma integrada com o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de São Luís, além de manter diálogo permanente com políticas públicas e programas de fomento.

Parcerias institucionais e capacidade organizacional

A capacidade organizacional do assentamento reflete-se na consolidação de parcerias estratégicas com instituições como a Embrapa, o Instituto Federal do Maranhão (IFMA), órgãos do governo estadual e municipal, além do apoio e financiamento de empresas como a Vale. Essas parcerias têm contribuído para a assistência técnica, capacitação produtiva, qualificação do manejo agrícola e fortalecimento institucional da associação.
Parte significativa da produção do assentamento é destinada ao comércio local e a programas governamentais de aquisição de alimentos, ampliando o alcance social da produção e garantindo fluxo regular de renda às famílias.

Morador do Laranjeiras há dez anos, Domingos resume o processo. “O desenvolvimento rural depende da organização e do trabalho coletivo. É isso que estamos construindo.”