Redução da jornada ganha força na América Latina e o fim da escala 6×1 avança no Brasil

Chile, México e Colômbia já reduziram a carga horária dos trabalhadores

O debate sobre o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho deve ganhar ainda mais força no Brasil nesta semana, com novas movimentações no Congresso Nacional e pressão dos trabalhadores e dos movimentos sindicais. O tema é prioridade para o Sindicalismo Socialista Brasileiro (SSB), que cobra uma resposta urgente diante de uma escala desumana que afeta milhares de brasileiros.

Países da América Latina já aprovaram mudanças sem corte de salários. Na Colômbia, a carga semanal caiu de 48 para 42 horas depois de muitos protestos contra a desigualdade social. No México, o governo reduziu recentemente a jornada de 48 para 40 horas semanais. Já no Chile, a carga caiu de 45 para 40 horas após forte mobilização popular que começou em 2019.

No Brasil, o cenário é parecido. De um lado, trabalhadores pressionam pela aprovação da PEC em busca de mais qualidade de vida. Do outro, empresários seguem usando o discurso do impacto econômico para tentar barrar a mudança. Mas o que está em jogo vai muito além dos números. É a vida de quem sustenta este país todos os dias.  

O fim da escala 6×1 e a redução da jornada representam uma reivindicação histórica dos trabalhadores por mais tempo para viver, estudar, conviver com a família e cuidar da saúde.

Para o presidente da SSB, Tadeu Cohen, o Brasil precisa dar uma resposta urgente aos trabalhadores. 

“Os empresários sempre usam o discurso do medo quando os trabalhadores avançam em direitos. Disseram que empresas iriam quebrar em vários países e isso não aconteceu. O trabalhador precisa de descanso, dignidade e qualidade de vida. Não existe desenvolvimento às custas da saúde da classe trabalhadora”, afirmou.

Tadeu destaca o exemplo de Campinas, onde os servidores públicos conquistaram há mais de duas décadas a redução da jornada sem redução salarial.

“Os servidores municipais de Campinas conquistaram essa vitória há mais de 20 anos e provaram que reduzir a jornada não destrói empregos nem piora os serviços. Pelo contrário. Os trabalhadores passaram a ter mais qualidade de vida e melhores condições de trabalho”, disse

Enquanto nossos vizinhos da América Latina avançam em jornadas mais humanas, milhões de brasileiros seguem presos a uma escala exaustiva, sem tempo para descansar, estudar ou conviver com a própria família. O Congresso precisa ouvir a voz das ruas e entender que qualidade de vida também é direito do trabalhador.