Oito em cada dez brasileiros entre 16 e 40 anos defendem o fim da escala 6×1

Pesquisa mostra que apoio chega a 82% quando não há redução salarial

Levantamento da Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados indica que oito em cada dez brasileiros entre 16 e 40 anos defendem o fim da escala 6×1 desde que não haja corte de salário. A pesquisa se refere à PEC 148/2015, que propõe a redução da jornada e reforça a luta do Sindicalismo Socialista Brasileiro (SSB) por condições mais justas e por mais tempo de vida para os trabalhadores e trabalhadoras.

A pesquisa ouviu 2.021 pessoas com 16 anos ou mais em todo o Brasil entre 30 de janeiro e 5 de fevereiro com margem de erro de dois pontos percentuais. Considerando todas as faixas etárias, 63% dos brasileiros defendem o fim da escala 6×1.

Entre jovens de 16 a 24 anos, 69% defendem o fim da escala 6×1. Quando a proposta garante que não haverá alteração no salário, o apoio sobe para 82%. Entre pessoas de 25 a 40 anos de idade, o índice passa de 73% para 82% na mesma condição.

Nas faixas etárias mais altas o apoio diminui um pouco, mas ainda é representativo. Entre brasileiros de 41 a 59 anos, 62% defendem o fim da escala. Entre pessoas com mais de 60 anos o índice é de 48%.

Para o presidente da SSB, Tadeu Cohen, os números refletem uma realidade vivida por milhões de trabalhadores.

“A escala 6×1 pesa na vida de milhões de trabalhadores. Trabalhar seis dias seguidos e ter apenas um dia de descanso não é qualidade de vida. Essa discussão é urgente no Brasil”, afirma.

Tadeu, que também é coordenador-geral do Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Campinas (STMC), lembra que a experiência da cidade mostra que a redução da jornada é possível.

“Campinas é pioneira nessa conquista. Há mais de 25 anos os servidores tiveram a jornada reduzida de 40 para 36 horas semanais sem redução dos salários. Isso prova que é possível melhorar a qualidade de vida do trabalhador sem prejudicar os serviços prestados à população”, conclui Tadeu.

Aprovada na CCJ, a PEC aguarda votação no Senado antes de ser discutida pelos deputados. Para a SSB, os dados confirmam que os jovens estão na linha de frente dessa mudança ao exigir um modelo de trabalho que respeite o tempo livre e a saúde mental. A luta agora é garantir que o fim da escala 6×1 vire lei e seja cumprida.