SSB repudia ameaça de uso de força policial em manifestação legítima no Porto de Santarém

Governo federal autorizou atuação diante de protesto contra a privatização do Tapajós

O Sindicalismo Socialista Brasileiro (SSB) repudia a ameaça de atuação da Polícia Militar e da Polícia Federal no Porto de Santarém, no Pará, diante da mobilização de povos indígenas do Baixo Tapajós e movimentos socioambientais. Ao autorizar o uso das forças policiais, o governo federal escolhe proteger interesses do agronegócio em vez de enfrentar a situação com diálogo.

A mobilização teve início após decisões tomadas sem ouvir quem vive na região e depende das águas para sobreviver. O Decreto nº 12.600 de 2025 altera o uso das águas para atender interesses econômicos e logísticos. A dragagem e a transformação do curso do rio em corredor industrial ameaçam a pesca, o meio ambiente, a saúde das comunidades indígenas e ribeirinhas e a vida nas margens.

Para o presidente do SSB, Tadeu Cohen, a ameaça é injustificável diante de uma manifestação legítima. “Não é com polícia que se resolve esse tipo de conflito. O que está faltando é diálogo e respeito aos povos indígenas e às comunidades que vivem ali.”

Duas semanas de ocupação

A mobilização no Porto de Santarém teve início em 22 de janeiro e se mantém mesmo após a decisão do governo de autorizar a atuação policial.

O Rio Tapajós é território e vida e não pode ser privatizado. O SSB exige a revogação imediata do decreto, a suspensão da dragagem e o fim do garimpo ilegal. A Amazônia não pode continuar sendo destruída em nome do lucro.