Estudo mostra evolução da produtividade do trabalho no Brasil

Dados reforçam a discussão sobre a redução da jornada de trabalho

O fim da escala 6×1 colocou a redução da jornada de trabalho entre os assuntos mais discutidos do país. Enquanto milhões de trabalhadores defendem mais tempo para descansar, conviver com a família e ter qualidade de vida, empresários afirmam que reduzir a carga horária colocaria a economia em risco. Um novo estudo mostra que os números contam outra história.

Em sua pesquisa, o professor, economista e pesquisador do CNPq Adalmir Marquetti analisou como a produtividade do trabalho evoluiu desde 1988, quando a Constituição Federal fixou a jornada semanal em 44 horas. Os cálculos do pesquisador mostram crescimento de 30,9% entre 1988 e 2025. Já os dados do Observatório da Produtividade Regis Bonelli, da Fundação Getulio Vargas (FGV), apontam crescimento de 34,2% no mesmo período.

Para analisar essa evolução, Marquetti usou duas formas de medir a produtividade. Uma considera a produtividade por trabalhador. A outra, por hora trabalhada. Apesar dos critérios diferentes, as duas apontam crescimento ao longo das últimas décadas.

O período de maior crescimento da produtividade foi entre 2002 e 2014, marcado pelo crescimento da economia, pelo aumento dos investimentos e pelo fortalecimento do mercado de trabalho. Depois vieram a crise econômica, a crise política, a pandemia de Covid-19 e os ataques aos direitos trabalhistas, fatores que fizeram a produtividade cair entre 2014 e 2022. Nos últimos anos, ela voltou a crescer, mas em ritmo menor.

Na conclusão do estudo, Marquetti afirma que a discussão sobre a redução da jornada não passa apenas pela economia. Para o pesquisador, a questão também envolve a forma como os ganhos de produtividade são distribuídos na sociedade. Na avaliação dele, o crescimento da produtividade nas últimas décadas sugere que existem condições econômicas para reduzir a jornada de trabalho, já que os ganhos acumulados superam o aumento potencial de custos dessa medida.

Para o presidente do Sindicalismo Socialista Brasileiro (SSB), Tadeu Cohen, as conclusões do estudo fortalecem uma luta histórica do movimento sindical.

“Os trabalhadores produzem, a tecnologia avança e o país continua crescendo. Não faz sentido manter milhões de brasileiros presos a uma escala desumana. O fim da escala 6×1 é uma questão de justiça social, saúde e valorização do trabalho. Os servidores municipais de Campinas tiveram a jornada reduzida de 40 para 36 horas há mais de 25 anos sem que isso comprometesse a eficiência dos serviços”, finaliza.

A SSB defende que os avanços tecnológicos e os ganhos de produtividade precisam chegar a quem faz a economia acontecer todos os dias. Reduzir a jornada sem reduzir salários é uma forma de distribuir de maneira mais justa os ganhos de produtividade.